sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Um dos elementos fundantes da Amazônia é o transporte naval por embarcações de madeira e seus construtores de barcos artesanais. Destaco o município de igarapé-Miri, meu lócus de pesquisa de anos de estudo, olhando a imagem com o sabor que a memória coletiva nos possibilita, a última embarcação que mestre Agenor Machado estava trabalhando antes de seu falecimento. E ainda a imagem do mestre Manduca, ambos antigos mestres responsáveis pela expansão e ensinamentos do ofício nos estaleiros na frente da cidade nos bairro do Tucumã e Jatuira. Sem barcos como pescar. A embarcação é historicamente um instrumento de acesso as instituições, cultura e meio de vida do bioma Amazônia.





 

sábado, 29 de julho de 2023

 

O que vejo é “personas” buscarem se posicionar ou até adquirir musculatura política, recorrendo imagens e narrativas de um tempo passado, pretérito, imagens de um lugar e equipamentos públicos de nossa cidade antiga. A esse respeito, as lembranças do passado, por trata-se de lócus e arcabouço teórico-metodológico de pesquisa no campo da história oral, etnográfico, etnodesenvolvimento... devemos ter por sua complexidade analítica, todo o cuidado e respeito ao trazermos à baila cenas do passado seja em qualquer cenário. Para tanto, busco aqui inspiração em um dos maiores pensadores brasileiros Milton Santos (1996) para advogar que “... Dentro desse processo de redefinição, o mundo – que visto como um todo é nosso estranho – tem sua existência revelada pelo lugar – nosso próximo. No lugar conhecemos o mundo pelo que ele já é, mas também, pelo que ainda não é. Dessa forma, o futuro, mais que o passado, torna-se nossa âncora”. Assim, ao completarmos recentemente 178 anos de fundação do município, penso em focar num Igarapé-Miri rumo a 200 anos, num salto para o futuro! E tudo aquilo que podemos ainda transformar para o bem de nossa casa comum em meio ao modelo técnico-científico-informacional vigente no globo. Edson Antunes

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Associação de Apoio às Comunidades Amazônicas - Comunidade Amazônica


A Associação de Apoio às Comunidades Amazônicas, também designado pela sigla COMUNIDADE AMAZÔNICA, constituída em 18 de fevereiro de 2019, é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos ou não econômicos, constituído sob a forma de associação, conforme autoriza o nosso Ordenamento Civil Brasileiro, com autonomia patrimonial, administrativa, financeira e disciplinar, com prazo indeterminado regendo-se pelo presente Estatuto e pela legislação que lhe for aplicável.

A Associação tem como missão contribuir pela defesa e apoio a educação, cultura, comunicação, ao trabalho em processos participativos e solidários, aos direitos sociais e humanos, ao meio ambiente, visando o desenvolvimento sustentável e a justiça social das Comunidades Amazônicas.

Somos ribeirinhos, quilombolas, indígenas, extrativistas, pescadores, trabalhadores rurais e urbanos, engajados no desenvolvimento sustentável da região amazônica.




No cumprimento de sua missão institucional, a Associação tem por finalidades:

I.               Promover a geração de trabalho e renda, através do fomento às práticas produtivas sustentáveis, agroecológicas e das variadas formas de economia solidária;

II.            A defesa, preservação e conservação do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento sustentável;

III.         Fomentar as práticas culturais, artísticas, esportivas e de lazer;

IV.         Promover e apoiar Assistência Técnica e a Extensão Rural;

V.           Fomentar, incentivar, organizar e executar projetos que visem a garantia do direito à comunicação;

VI.         Promover e apoiar as experiências de comunicação popular, de radiodifusão comunitária, radiodifusão educativa, etc;  

VII.      A promoção de direitos das pessoas portadoras de deficiência, do idoso, da criança e adolescente, da juventude, do combate a todo o tipo de discriminação sexual, étnica, religiosa, racial e social, trabalho forçado e infantil;

VIII.   A promoção, fomento e incentivo a defesa dos direitos da mulher, do combate a todas às formas de violência contra a mulher bem como a emancipação econômica de trabalho e renda;

IX.         Promover e/ou resgatar os conhecimentos tradicionais, do artesanato, do saber científico, da democratização e acesso à tecnologia de informação;

X.           A promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais;

XI.         Fomentar e qualificar as políticas públicas e ações privadas, através de capacitação, de assessoria técnica e de execução de projetos referenciais e estratégicos;

XII.      Promover programas/atividades educacionais, culturais, ambientais e de desenvolvimento econômico, social e solidário;

XIII.   Promover e apoiar instituições, entidades e associações, locais e regionais que visem à promoção educacional, cultural, ambiental e de desenvolvimento baseados no ideário de sustentabilidade e solidariedade;    

XIV.   Promover o intercâmbio com entidades culturais, científicas, de ensino e de desenvolvimento social, nacionais e internacionais, bem como o desenvolvimento de estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos;

XV.      Celebrar termos de cooperação, de parceria, contratos, convênios, acordos e congêneres com instituições públicas e/ou privadas, nacionais e/ou internacionais, visando o desenvolvimento sustentável e solidário, a melhoria da qualidade de vida e o bem-estar da sociedade;

Tecnociência Solidária: um manual estratégico - Renato Dagnino - Dep. de Pol. Científica e Tecnológica do IG-UNICAMP

 






Apresentação
Este livro busca contribuir para a reflexão sobre um tema que, quase que independentemente do cenário que venha a ser construído pelos atores sociais presentes na cena atual brasileira e latino-americana, tenderá a ser cada vez mais importante. À medida que se vá alargando a Economia Solidária - espaço constituído por redes de produção e consumo baseadas na propriedade coletiva dos meios de produção e na autogestão capaz de expandir-se e adquirir sustentabilidade no âmbito de uma economia capitalista periférica - o tema da Tecnociência Solidária se tornará ineludível. Caso se mantenha a calamitosa tendência atual, a Economia Solidária poderá atenuar a exclusão social. Caso venha a ser revertida, as redes de empreendimentos solidários - cooperativas, associações, etc. - serão essenciais para alavancar um estilo de desenvolvimento mais justo e ambientalmente responsável. Mas não é somente aqui que o ideário subjacente à Economia Solidária ganha força. Nos países capitalistas avançados, no âmbito do que vem sendo chamado de Nova Democracia, vem-se fortalecendo a proposta de novos arranjos para a produção e circulação de bens e serviços envolvendo o Estado e os movimentos populares. Animam essas propostas, por um lado, a incapacidade das políticas de ajuste neoliberal que vem sofrendo o capitalismo para 12 | Tecnociência Solidária enfrentar suas crises sistêmicas. E, por outro, a possibilidade de, apoiando-se no êxito das cooperativas e outros arranjos econômico-produtivos semelhantes que vem sendo lá formados, expandir sua ação aproveitando a reversão ora em curso da privatização de empresas estatais. Este livro se dedica a ajudar a proporcionar o componente tecnocientífico necessário para a viabilização desses arranjos. Ele visa a construir o que temos chamado de plataforma cognitiva de lançamento dessa forma de organização da produção e circulação de bens e serviços para além do capital, a Tecnociência Solidária. Em todo o mundo se divisa com cada vez maior clareza dois caminhos que, começando com ações já em curso e apoiando-se em distintas plataformas tecnocientíficas, apontam para cenários que recolocam antigos dilemas. O que busca enfrentar essas crises e retomar o crescimento econômico pela via hoje dominante da competição entre empresas carburada pela redução do preço da força de trabalho. Seu ponto médio, que impõe a supressão das garantias conquistadas pelos trabalhadores, é visto pelos que o defendem como a antessala de uma etapa de crescimento redistributivo, possibilitada pelas tecnologias emergentes advindas da tecnociência capitalista, que levará a uma era de prosperidade para todos. 


 


 

terça-feira, 21 de abril de 2020


Quando vejo falar de esquerda e direita, de desigualdade e igualitarismo, indiferença as diferenças e tolerância e intolerância, me vem novamente a reflexão que a esquerda deveria pensar um pouco mais (no sentido de que o pensamento age quando pensa) sobre a afirmação de Warren Buffet, um dos homens mais rico do mundo. “É verdade que há uma guerra de classes, mas é a minha classe (burguesa) que está fazendo a guerra e ganhando”.  Tal contexto deixa clara a urgência da esquerda em colocar novamente suas lutas sob a bandeira da igualdade radical e da universalidade de direitos.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Solicitação de instalação de Hospital de Campanha para combate à Covid-19 na região do Baixo Tocantins/PA.

Cametá, 02 de abril de 2020

A Sua Excelência
Senhor HELDER ZAHLUTH BARBALHO
Governador do Estado do Pará
gabinetedogovernador@palacio.pa.gov.br;
para.governo@gmail.com;
Palácio dos Despachos “Benedicto Wilfredo Monteiro”, Av. Doutor Freitas, 2.531
Marco - 66087-812, Belém - PA
(91) 3216-8829 / 3342-5663
  
C/C Ex. Sr. ALBERTO BELTRAME
Secretário de Estado de Saúde Pública

Ref.: Solicitação de instalação de Hospital de Campanha para combate à Covid-19 na região do Baixo Tocantins/PA.


Excelentíssimo Governador do Pará,

 Nós, ribeirinhos, pescadores, agricultoras familiares, quilombolas, estudantes, professores, servidores públicos, vereadores, organizações sindicais, sociais e populares dos seis municípios da região do Baixo Tocantins (Cametá, Limoeiro do Ajuru, Oeiras do Pará, Baião, Igarapé Miri e Mocajuba), vimos pelo presente inicialmente externar a vossa excelência a preocupante situação quanto à infraestrutura do sistema de saúde ao combate à Covid-19 de nossa região.  
Considerando que o novo coronavírus e seu avanço no mundo ainda está no começo e que, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde no Brasil (OPAS/Brasil), com dados de 29 de março de 2020, “Foram confirmados no mundo 634.835 casos de COVID-19 (63.159 novos em relação ao dia anterior) e 29.957 mortes (3.464 novas em relação ao dia anterior) até 29 de março de 2020”[1]. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, já existem 4.256 casos confirmados, com 136 óbitos e apenas 06 pessoas recuperadas portanto já há “[...] transmissão comunitária da COVID-19 em todo o território nacional”[2].
No Pará, segundo dados da SESPA, obtidos em 30 de março de 2020, são 21 casos confirmados e 104 em análise; até o momento não há óbitos pelo novo coronavírus, mas, estima-se que possam morrer 35.460 pessoas pela COVID-19[3].
A pandemia de COVID-19, doença que ataca com rapidez os pulmões, prejudicando o sistema respiratório, e que pode causar a morte, é uma realidade mundial. Do ponto de vista epidemiológico, a melhor forma de diminuir os números de casos e, consequentemente, de mortes, é pelo distanciamento social, sendo o ISOLAMENTO SOCIAL HORIZONTAL (que significa todos e todos/as isolados/as e não somente pessoas de grupo de risco) ainda é a melhor forma de se evitar milhares de mortes e o colapso do sistema de saúde, devendo-se também continuarmos com os cuidados de higiene de mãos, objetos e ambientes.
Estamos nos mobilizando em rede, unidos e empenhados na campanha, “CONTINUEM EM CASA”, principalmente considerando que o número de casos pode dobrar a cada 3 dias em média e o número de mortes pode ser em cerca de 4% dos infectados, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2020), além do que 15% das pessoas podem adoecer de forma grave, sendo necessário Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para sobrevivência.
Em nossa Região do Baixo Tocantins, constituída por muitas ilhas, vilas, distritos, setor de estradas, rios, igarapés, furos, comunidades ribeirinhas, extrativistas, quilombolas, com povos tradicionais desta Amazônia vivendo em Cametá, Mocajuba, Oeiras do Pará, Limoeiro do Ajuru, Baião e Igarapé-Miri, com uma população total de mais de 340.600 habitantes (dados populacionais oriundos do site IBGE, 2019), não há UTIs nos hospitais dessa região e o número de respiradores artificiais não chega a 30, até o momento, de maneira que é preciso continuar evitando o avanço da epidemia, para que o sistema público de saúde tenha condições de responder aos casos do novo coronavírus que forem ocorrendo na região.
Em seguida, diante do quadro exposto acima, vimos, veementemente, solicitar em caráter de urgência a instalação de um Hospital de Campanha para combate dos casos mais graves da Covid-19 na Região do Baixo Tocantins/PA com o objetivo de salvar vidas, pois É PRECISO CUIDAR DA VIDA, abarcando, de imediato, os seis municípios em questão, mas também outros em adjacência, a exemplo dos que estão por serem instalados em Belém, Marabá, Breves e Santarém, principalmente quando se considera a geografia da região, assim como o fato de que a maioria da população vive em territórios rurais, não sendo nada fácil se deslocar para Belém, caso haja necessidade. Essa é a função de um Estado. E a vida deve ser preservada acima de tudo, envolvendo todos e todas. 
Na certeza de sermos atendidos em nosso pleito, dado o empenho que Vossa Excelência vem tendo junto ao combate ao Coronavírus no Estado, subscrevemo-nos.
Atenciosamente,


Carmen Helena - Secretária Geral da CUT/Brasil
Euci Ana da Costa – Presidente da CUT/PA
Dom José Altervir da Silva - Bispo da Diocese de Cametá
Doriedson Rodrigues - Coord. do Campus de Cametá/UFPA
Benedita Carvalho Gonçalves – Regional Tocantina da FETAGRI/PA (autorizado)

SINTEPP – Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação Pública do Pará

SINDSAÚDE/PA (autorizado)

União Nacional dos Estudantes/Diretora de Políticas Públicas p/Juventude (autorizado)

ADUFPA/Cametá (autorizado)

Levante Popular da Juventude (autorizado)

Coletivo Para Todos (autorizado)

CPP - Conselho Pastoral dos Pescadores (autorizado)

Associação Ribeirinha de Cametá – ARC (autorizado)

MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens (autorizado)

Cooperativa Auto gestora de empreendimentos de Cametá – COOPACC (autorizado)

Colônia de pescadores Z-16

Associação dos Pescadores Artesanais do município de Cametá – APAMUC (autorizado)

Associações de quilombolas de....oeiras/Baiao

Associações de Mulheres de Igarapé-Miri (autorizado)      



[1]Fonte:https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875. Acesso em 30 de março de 2020.
[2]Fonte:https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875. Acesso em 30 de março de 2020. 
[3]Segundo o Potential Impact of COVID-19 on Human Mortality tool – PICHM,2020

terça-feira, 21 de março de 2017



ANÁLISE DE CONJUNTURA MUNICIPAL: “velhos” e “novos” atores políticos mirienses pós 2016.
Edson Antunes[1]
Tom Jobim e Elis Regina cantaram “são as águas de março fechando o verão é a promessa de vida no teu coração”. Mesmo que para muitos o ano começa quando o carnaval acaba e que todo governo precisa de um tempo mínimo para se organizar, como dizia Cazuza “o tempo não para”, a cidade não para, seja o governo[2] estratégico de médio e longo prazo, seja o governo proposto pelos “teus filhos saberão cuidar de ti” ou o governo do dia-a-dia, a roda gira e ações públicas são ou não realizadas. Então, para não sairmos apontando o dedo indevidamente por ai, quando começam a aparecer os problemas, ou até mesmo quando se percebe vontade em começar a resolvê-los, é preciso inicialmente fazer uma boa análise de conjuntura[3] do atual momento sócio, político e econômico do município para melhor compreensão dos fatos da estrutura social miriense. 
Para tanto, apresentamos algumas questões que nos orientaram na condução desta análise, a saber: Qual a nova correlação de forças e interesses no tabuleiro político de Igarapé-Miri? Quais as alianças políticas presente no governo “teus filhos saberão cuidar de ti”? Qual a força política central deste governo? E o que de “velho”, “novo” ou “diferente” temos hoje na estrutura política municipal? Qual o quadro atual de atores[4] do poder executivo e legislativo para o mandato 2017-2020?
Como já analisamos em outros momentos, há uma constante circulação das elites[5] dentro da classe política miriense[6], em parte, pela manutenção do poder político edificado pelo poder econômico (como no caso do elemento estratégico engenho de cana-de-açúcar da família Leão); ou do volumoso “financiamento de terceiros” para as campanhas eleitorais ou devido aos fluxos na política de alianças quando da criação de blocos partidários, ligados a uma ou duas das três principais forças políticas do estado, hoje PSDB, PT e PMDB.
Este fenômeno pode ser observado, pela intensa costura entre as principais forças na formação da política de alianças de blocos partidários que disputaram as eleições municipais majoritárias dos últimos pleitos. Merecendo destaque, a disputa polarizada de 2012 da chapa de Pina (PT) e Francisco Pantoja (PMDB) candidatos à reeleição do bloco esquerda-centro entre a chapa de Pé de Boto (DEM) e Edir Corrêa (PSD) candidatos do bloco direita-centro, da qual saiu vitoriosa a chapa encabeçada por Pé de Boto-25, desembocando forte embate na justiça eleitoral com permanentes trocas de Prefeito[7] nunca visto na historiografia política de Igarapé-Miri, que culminou na realização de eleição suplementar.
A eleição suplementar de maio de 2015 foi um anuncio da formação das forças políticas que disputariam as eleições municipais de outubro de 2016. Neste pleito, saiu vitoriosa a chapa do ex-prefeito Pina (PT) e da vereadora Carmozinha[8] (PV) do bloco esquerda-centro obtendo 11.764 votos contra a chapa do vereador Toninho Peso Pesado[9] (PMDB) e Marcelo Corrêa (PR)[10] do bloco centro-direita que obteve 11.227, uma diferença de 557 votos, bem como da chapa de Joca Pantoja (PPS) e Antoniel Miranda (PEN) do bloco centro-direita mais próximo do governo do estado, que obteve 7.939 votos.
Com a vitória da chapa Pina e Carmozinha para comandar o poder executivo, o vereador Toninho Peso Pesado (vereador eleito para a presidência da câmara) volta ao comando do poder legislativo e dar continuidade a formação de suas alianças, construída nos 6 meses que assumiu a Prefeitura, tendo como base central o apoio da maioria dos vereadores da então câmara municipal. 
Após os constantes fluxos partidários quando da formação dos blocos para a disputa das eleições de 2016, as forças políticas foram novamente articuladas pelo PT, PPS e PMDB, ou seja, fecharam-se a chapa de Padre Jucelino e Antônio Marcos ambos do PT, a chapa de Joca Pantoja do PPS e Marcelo Corrêa agora PSC e a chapa que saiu vitoriosa de Toninho Peso Pesado do PMDB e Antoniel Miranda do PEN, coalização “suprapartidária” de centro-direita oposição acirrada ao PT do então governo Pina e ao PPS de Joca Pantoja e partidos ligados ao governo do estado, inclusive do próprio PSDB.  
Dito isto, o que de novo ou diferente pós 2016, temos na conjuntura política miriense?  A primeira questão é que desde 1992, último ano do governo Danda (1989-1992) o PMDB não elegia prefeito em Igarapé-Miri, num contexto de fortalecendo da sigla após o bom desempenho de Helder Barbalho na última eleição ao governo do estado e da chegada do presidente ilegítimo Michel Temer ao comando do governo federal; a segunda questão, um tanto diferente de nossa história política, é a formação da coalização “suprapartidária” constituída por um grande volume de forças políticas distintas (com forte presença de lideranças políticas oriundas da Vila Maiauatá) no comando do poder executivo e legislativo do município.
De fato, o atual quadro político neste conturbado início do governo “Teus filhos saberão cuidar de ti” merece nossa reflexão, em especial pela imediata centralidade da atual gestão. O centro do governo foi formado por membros do clã familiar do prefeito ou ligado pessoalmente a este ou ao PMDB (secretarias/órgãos: governo, finanças, educação, assistência social, cultura, controladoria, procuradoria...) deixando várias forças políticas da coalização na periferia.   
Para além do centro do governo, destaca-se a secretaria de saúde que ficou com o vice-prefeito Antoniel Miranda que também puxou o meio ambiente para o PEN, sendo que as outras secretarias, embora condutoras de políticas importantes como a administração (Dalva Amorin do PTB), gestão e planejamento (Francisco Pantoja do PMN), desenvolvimento urbano (Marenilson do PMN) e desenvolvimento econômico (Natan do PCdoB) não têm fundos descentralizados, sendo as despesas ordenadas pelo prefeito municipal e o secretário de finanças, ambos do núcleo central do governo, que no mínimo tem gerado descontentamentos nas demais forças políticas da coalização “suprapartidária” que venceu as eleições.   
Os descontentamentos entre as forças políticas do governo não são ainda mais intensos, porque o poder legislativo é comandado hoje por um grupo político que ora se colocou a favor ora contra aos governos do PFL, PT, DEM ou do PMDB, seja quando na condução da secretaria de saúde ou da câmara municipal e, portanto sempre esteve e está muito bem aquinhoado no poder local.    
 Por fim, essas são as forças de nosso tabuleiro político hoje que como já observamos podem de uma hora pra outra, entrar ou sair de blocos partidários formados por interesses conjunturais.


[1] Doutor em Ciências Sociais/Sociologia/UFPA. Prof.º SEDUC/Enedina Sampaio Melo/Ig-Miri.
[2] A democracia competitiva premia os bons governos, ou seja, administrações capazes de executar políticas que aumentem o bem-estar médio da sociedade. Nesse sentido, o mercado eleitoral está aberto, pois a nova coalização centro-direita não conseguiu restabelecer as bases do crescimento e da superação da crise ético-política brasileira (Rafael Cortez, cientista político pela USP, 2016).
[3] Conjuntura é uma atualização da estrutura, como a estrutura se apresenta num dado momento. A conjuntura não tem autonomia absoluta em relação à estrutura, que continua sendo determinante para se entender a lógica dos acontecimentos políticos e econômicos. A margem de manobra dos atores, na esfera da conjuntura, é relativa, ou seja, ela é determinada pelas limitações da estrutura. Achar que essa margem é ilimitada e que os atores podem fazer o que quiser é incorrer numa espécie de voluntarismo e suas consequências práticas no campo social e político. Como atualização da estrutura, a conjuntura apresenta sempre algo novo, diferente. Isto porque a correlação de forças e interesses no tabuleiro político varia. Quando a política de alianças sofre uma mudança, a sociedade experimenta uma sensação de turbulência, de insegurança ou crise. As conjunturas são determinadas, em primeira instância, pelas alianças políticas em jogo (Michel Zaidan, cientista político da UFPE, 2016).
[4] Bourdieu utiliza o termo “agentes” pertencentes a determinado “campo”, neste caso campo político para analisar a estrutura geral da sociedade (BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 5ª edição. Rio de Janeiro: Bertrando Brasil, 2002).
[5] Conceito clássico da teoria política em MICHELS (1958); PARETO (1961); MOSCA (1988) e BOTTOMORE (1965).
[6] CORRÊA, Edson de Jesus Antunes. “Leões do Norte”. Elite política em Igarapé-Miri. UFPA, Belém, 2004.
[7] Essa questão será tratada em outro momento.
[8] Vereadora Carmozinha por ser a vice-presidente assumiu por 6 meses a presidência da câmara.
[9] Vereador Toninho Peso Pesado por ser o presidente da câmara assumiu por 6 meses a prefeitura.
[10] Contador do então Prefeito Toninho Peso Pesado nos 6 meses que esteve a frente da prefeitura.

sexta-feira, 3 de março de 2017

CARNAVAL DE RUA COMO OPORTUNIDADE DE EXERCÍCIO DO DIREITO ÀS CIDADES RIBEIRINHAS DO BAIXO TOCANTINS (PA)

CARNAVAL DE RUA COMO OPORTUNIDADE DE EXERCÍCIO DO DIREITO ÀS CIDADES RIBEIRINHAS DO BAIXO TOCANTINS (PA)
Edson Antunes
Em abril de 2016 a Revista Latino Americana de Estudos em Cultura (MATIZES) da UFF/RJ, lançou o dossiê “Múltiplos carnavais: Economia e política nas manifestações culturais populares”; coube a Marina Bay Frydberg fazer a apresentação intitulada: “Quando o carnaval chegar”: Carnavais em múltiplos e variados enfoques. No texto, Frydberg trás a historicidade do carnaval, constatando a existência de vários carnavais no Brasil: o carnaval das escolas de samba, o carnaval de rua, o carnaval dos trios elétricos. Para a autora, a tradição de se brincar o carna­val foi trazida para o Brasil pela manifestação popular de origem portu­guesa que consistia em atirar nas pessoas objetos que sujassem e molhassem. A partir da segunda metade do século XIX o carnaval pas­sa a ser festejada através das socie­dades carnavalescas, organização de pessoas de classe média e alta, que desfilavam fantasiadas, com carros e bandas de música. Inspirados pelas sociedades carnavalescas, as classes populares passaram a se organizar em blocos, cordões e ranchos. O carnaval passa então a ser classificado em “Grande Carna­val”, modo da elite brincar a festa, e “Pequeno Carnaval”, forma popular da brincadeira carnavalesca. Foi no final da década de 1920 que surgiram as primeiras escolas de samba, consideradas por muitos estu­diosos como uma síntese de todas es­sas outras formas de brincar o carna­val. Criou-se, assim, um modelo de carnaval que inspirou ma­nifestações festivas por todo o país e também pelo mundo. A festa carnavalesca brasileira, seja das escolas de samba ou do car­naval de rua, passou a fazer parte do calendário festivo do país ajudando na construção da identidade nacional, ganhando contornos regionais e locais em diferentes lugares do Brasil, sendo uma das caracte­rísticas do potencial do carnaval como elemento construtor de identidade e de práticas de sociabilidade.
O carnaval é sem dúvida uma festa de múltiplas expressões artísticas e, consequente­mente, de variados significados possí­veis de serem interpretados (o carnaval como prática, o carnaval como identidade, o carnaval e sua relação com o território.), assim, pode ser pensado como ritual, mas também como organização. Pode ser pensado como elemento constitu­tivo do ser, mas também como força política. Pode ser pensado como arte, mas também como negócio. Pode ser pensado como objeto de estudo, mas também como elemento constitutivo da identidade do pesquisador.
Na perspectiva de Siqueira & Vasque (2015), o carnaval também tem haver com o planejamento urbano e o direito a cidade, apresentando duas abordagens em disputa no modo de apropriação da rua, a saber, “a da urbanização social e do empreendedorismo urbano”. A primeira está associada à implementação de uma gramática de direitos que implica não só políticas redistributivas, mas também ações de reconhecimento no ambiente urbano ( identificação de áreas periféricas como parte da cidade), materializada por meio do que chamamos de direito à cidade. A segunda vem predominando na administração das grandes cidades, que vem sofrendo intenso processo de transformação socioterritorial, ou seja, o urbanismo social remete para a necessidade de administrar a cidade de modo a torná-la acessível aos seus residentes, isto é, permitindo-lhes acesso à terra, à infraestrutura urbana e reconhecendo-os (também) como pertencentes àquele espaço urbano. Já o planejamento – empreendedorista – por projeto facilita a mobilização de recursos em escala suficiente para programar grandes blocos de investimentos em equipamentos urbanos de elevado custo. Nesse sentido a manifestação cultural possui características próprias fundamentais que podem servir, no caso de uma gestão conduzida a partir de um empreendedorismo urbano, para atender aos interesses do capital privado na construção de uma cidade espetáculo, onde tudo está marcado pela circulação e consumo de novos produtos urbanos, ou se apropriada pelo urbanismo social, como forma de construção de uma ambiência diversificada e inclusiva a partir de uma perspectiva participativa voltada para seus próprios habitantes.
Ao se fazer uma rápida analise do carnaval pensado em sua relação com o território, o carnaval da região do Baixo Tocantins (PA) vem passando por grandes transformações. A cada ano, os municípios que compõe o território regional se destacam de alguma forma na história desta que é a maior expressão da cultura popular brasileira, (festa que mobiliza mil­hares de pessoas nas ruas, que popu­larmente é reconhecido que só depois dela que o ano começa, em que gira muito dinheiro e que mobiliza mani­festações apaixonadas); recentemente, para além do já consagrado ícone do carnaval popular paraense, o carnaval de Cametá (em especial o carnaval das águas), se não o melhor, mas um dos melhores carnavais do estado, a cidade de Abaetetuba vem se destacando pela participação de público e grandiosidade de seu carnaval. No entanto, a visão que vem avançando e tornando-se hegemônica na atualidade regional, bebe do modelo mercadológico dos “blocos de abadas”, do carnaval pensado como negócio que pode (com forte interferência externa apropriada integralmente pela lógica empreendedora capitalista), tirar a alegria e a espontaneidade dos “blocos de rua” de inspiração do modelo endógeno originários da cultura e historicidade local, eminentemente popular.
Nesse contexto, em que a necessidade de intervenção popular passa a ser percebida pelo poder público e reivindicada por seus citadinos, o conteúdo do direito à cidade passa a incluir acesso a direitos difusos e sociais, considerando que a festa carnavalesca é gratuita e de natureza democrática.
Dito isto, defendemos que o papel do poder público, muito mais de incentivar “cidades espetáculos” é de fortalecer, apoiar e capacitar às iniciativas de carnaval de rua (blocos de rua, “pequeno carnaval”) que comungam do ideário do carnaval e sua relação com o território e do urbanismo social, tais como as já exitosas experiências do “bloco da bandinha” e do bloco “cara e coroa” do município de Igarapé-Miri, blocos eminentemente populares, democráticos e de forte relação à visão citadas a cima; no sentido de difundir esse modelo e fazer surgir novas experiências nos bairros baseados no fundamento da organização social e sociabilidades, no qual os citadinos possam se envolver na construção de suas próprias fantasias, gerir de forma processual a produção da cidade, usando de suas criatividades, explorando toda a diversidade sociocultural e socioambiental do território em tela que possibilite uma nova economia do carnaval com geração de renda para a região.

MARIA DE VERDADE Pousa-se toda, Maria No varal das 22 fadas nuas, loirinhas Fostes besouro, Maria E a aba do Pierrot descosturou na bainha F...